Vida de Mãe Empreendedora

A psicologia também pode ser empreendedora

Hoje escrevo para as mulheres que, além de mães, são psicólogas como eu. Desde a minha formação na graduação, sempre questionei alguns parâmetros ortodoxos da psicologia que, a meu ver, não acompanham a evolução da sociedade. Vivemos num mundo dinâmico e inovador. Todos os dias nos deparamos com novos empreendimentos e invenções inesperadas, relacionadas principalmente à tecnologia e ao marketing, que provocam mudanças em nossas vidas. Desde um simples hábito diário, como o que faço assim que acordo (é cada vez maior o número de pessoas que afirma olhar os posts nas redes sociais assim que abre os olhos), até mudanças significativas na forma como nos relacionamos com o outro podem ser percebidas claramente.

Tenho notado o esforço de várias profissões para acompanhar as inúmeras mudanças que estamos vivendo, com a psicologia não seria diferente. Existem várias técnicas e teorias que, mesmo sendo essenciais para a nossa formação, não se adequam mais, da forma como foram criadas, aos dias de hoje. Precisam de inovação, de criatividade e de invenção! É nesse ponto que acredito que o empreendedorismo pode nos ajudar: criar novas ideias e projetos, aprender a fazer networking de uma forma profissional e a divulgar nosso trabalho (dentro dos parâmetros estabelecidos pelo CRP) são pontos essenciais para a valorização e desenvolvimento da nossa profissão.

Além disso, há o rico aprendizado de como lidar com as finanças, questão que considero um embaraço para grande parte das psicólogas. É inegável que há no senso comum a ideia de que as profissionais da nossa área são caridosas, compreensivas e que gostam de ajudar as pessoas. Contudo, não podemos confundir tratamento humanizado, pensando nas necessidades de cada paciente, com falta de profissionalismo ou trabalho voluntário. A psicologia possui técnicas de intervenção específicas e demanda estudo como qualquer outra profissão, por isso deve ser valorizada. Valorização que começa com a forma como lidamos com as finanças e com o nosso posicionamento enquanto profissionais.

Estudar assuntos ligados ao empreendedorismo e viver uma vida empreendedora (ir a eventos, conversar com colegas sobre seus negócios e fazer cursos sobre o assunto) me fez crescer como profissional, além de abrir novas oportunidades para o desenvolvimento da minha clínica. Sei que o empreendedorismo é uma novidade para muitas psicólogas, como foi para mim um dia, já que, na maioria das vezes, não somos devidamente preparadas para enfrentar o mercado de trabalho durante a graduação. Contudo, para quem ainda tem dúvidas sobre a importância do tema, digo que vale a pena embarcar nesse desafio e explorar esse mundo que pode ser encantador!

Por Paula Melgaço: sócia-fundadora da Clínica Base, graduada em Psicologia pela UFMG, Especialista em Relações Internacionais, Especialista em Psicanálise com Crianças e Adolescentes pela PUC-MG e Mestranda em Psicologia na PUC-MG. Referência da Clínica Base em projetos relacionados à adolescência e à tecnologia/mundo virtual. (www.clinicabase.com)

 

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