Vida de Mãe Empreendedora

Uma história

Por Luiza Pinheiro – Pedagoga da Clínica Base

Era uma vez uma mulher que encontrou um bom rapaz e eles se apaixonaram. Então, resolveram se casar. A mulher ficou grávida. Dentro da barriga dela tinha um embriãozinho que logo iria se tornar um bebê. Ele, aos poucos, foi crescendo e se desenvolvendo, mas bem devagar, dando tempo para a mulher se acostumar com aquela presença. Naquele momento aquela pessoinha bem pequenininha era uma parte do corpo da mulher, estava dentro dela e com ela dividia a comida, as sensações, e a vida. E de repente, aquela mulher não era mais só mulher, ela agora era, também, MÃE.

A partir daquele momento tinha outra pessoa que dependia dela – e dependia inteiramente! -, iria depender dela para sobreviver por pelo menos dois anos -contando o período de gestação e os primeiros meses de vida. Agora, todas as atenções estavam voltadas para o bebê! Tanto da mãe – “o que devo comer na gestação para nutrir melhor meu bebê?”, “como será quando ele nascer?”, “será que vai ter cólicas?”, “vou arrumar as roupinhas e o quartinho mais lindos pra ele!” – como de todas as outras pessoas que a rodeiam – “que barrigona bonita!”, “é menino ou menina?”, “quando vai nascer?”, “como vai se chamar?”. Aquele bebê era a pessoa mais importante do mundo e merecia ser muito bem recebido por todos. E a mulher, que agora havia assumido o papel principal de mãe, encabeçou a tarefa de fazer o filho se sentir bem e confortável sempre.

Mais tarde o bebê cresceu um pouco e já não dependia inteiramente da mãe, já não demandava atenção em tempo integral como antes. A mãe ia, aos poucos, se adaptando a isso. Veio então a infância, e aquela ‘criaturinha’ que antes era apenas um pedaço do corpo da mãe, começou a fazer questão de mostrar que é uma pessoa com gostos e vontades próprias. A mãe foi tentando se acostumar.

Aí chegou a adolescência, fase sofrida da vida, não só para o adolescente, como também para a mãe. Nessa época o filho não tinha paciência para perguntas nem para regras, queria liberdade, independência e, por isso, acabava se afastando um pouco da família. Essa foi uma das partes mais difíceis! Quem um dia já esteve dentro do corpo da mulher e mesmo fora dele dependia dela e contava com ela o tempo inteiro, agora exigia uma distância, exigia seu próprio espaço. A mãe, tinha que se acostumar com aquilo. Tentava entender que o filho está crescendo e que a vida é assim mesmo.

Será que foi fácil para ela? Finalmente ela se acostumou com aquela nova forma de convivência com seu ‘bebê’ – que já era praticamente um adulto agora – mas logo chegaram outras mudanças nessa relação. O filho, que a essa altura já havia se formado na faculdade e já trabalhava, anunciou que ia sair de casa para morar sozinho. Anos e anos cuidando, convivendo e se preocupando com aquela ‘criaturinha’ e ela iria abandonar o ninho assim, de uma hora pra outra. Parecia que ainda ontem ele era apenas um bebê indefeso. Agora a casa ia ficar vazia, a mãe, depois de tantos anos, teria que se desapegar daquela rotina de cuidados com o filho, teria que se lembrar de como é a vida sem a presença constante dele, relembrar como era ser mulher, só mulher.

Nesse momento, a mulher, já mais velha, madura e experiente, teve a oportunidade de voltar novamente a olhar para si, coisa que as mães muitas vezes deixam de lado – em maior ou menor proporção – quando um filho entra em cena. E foi assim a vida dessa mulher, como de muitas outras por aí.

Essas mudanças na relação da mulher consigo mesma e com os filhos são inevitáveis e necessárias. Mas será que elas são fáceis? Será que alguma mãe, desde que o mundo é mundo, já esteve preparada para isso? Não parece tarefa difícil demais deixar os filhos partirem? Penso que esta história, com suas variações, é a história da maioria das mulheres que se torna mãe: amar, criar e libertar. Fico me perguntando como é para as mães essa tarefa.

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